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Instituto Religioso das Irmãs Medianeiras da Paz

Carisma das Irmãs Medianeiras da Paz

As Medianeiras carregam um carisma suscitado pelo Espírito para atender as diferentes realidades que clamam por Paz. A presença das Irmãs Medianeiras é semente do Amor de Deus, tornando presente uma “Cultura de Paz” onde faz florescer o ser fraterno, paciente, sensível e humanizado.

Espiritualidade

Possuímos uma espiritualidade voltada para a Fonte originária de todo ser: “Jesus Cristo Mediador”. D’Ele advém a fortaleza de nossa fé, esperança e amor. Sendo instrumentos de sua graça e sinal de sua compaixão nas diferentes realidades, nos tornando chamas contemplativas do Amor na ação.

Lema: “Tudo farei pelo Eleitos”. (2 Tm 2,10)

Abraçando o legado de Dom Antônio Campelo de Aragão, que inspirado pelo Espírito Santo e impulsionado pelo mesmo, tudo fez pelos filhos de Deus. Colocou o seu “tudo” a serviço da vontade do Pai e se deixou plasmar segundo a “Graça do Senhor”. Adotamos o mesmo lema espiscopal do fundador.

Somos convidadas a realizarmos o mesmo, acolhendo os nossos irmãos (as) que se encontram às margens da sociedade, perdidos entre o abandono humano e existencial. Tudo façamos pelas almas; sendo a totalidade do nosso ser doado segundo as capacidades e potencialidades inspiradas pelo Espírito Santo.

Fundação das Medianeiras da Paz

Ao lado do bom trigo, vai surgindo também o joio. Não obstante fosse nova a Associação, devendo firmar-se nos ensinamentos do Fundador, para assim ir criando a sua identidade própria, definir com clareza o seu perfil, sofreu fortes influências provocadas pelos vendavais da diversidade de interpretações do Concílio Vaticano II. A Superiora Geral procurava orientar-se com outras pessoas, sobretudo sacerdotes que viviam o afã das ideias inovadoras do pós-concílio, que ainda não haviam atingido a fase do devido amadurecimento e equilíbrio. Na verdade, a Associação, de apenas dez anos de fundada, não tinha tanto o que renovar, mas deveria assimilar e viver as orientações do Fundador e a doutrina do concílio, dentro de uma justa interpretação, que só posterior-

mente foi acontecendo.

 

Foi daí que, pressionado por um grupo de Mensageiras de Santa Maria, apoiado pela Madre Íria Maciel Pereira, então Superiora Geral, Dom Antônio Campelo decidiu afastar-se da Associação, deixando-lhe a liberdade de fazer a sua própria caminhada.

 

O grupo contava já com um número de cento e quinze Irmãs, de cinquenta aspirantes e um numeroso noviciado. Não acolhendo a atitude daquelas que exerciam a pressão sobre o Fundador e nem menos a sua decisão de afastamento, 50% das religiosas pediram afastamento das Mensageiras de Santa Maria e, ao mesmo tempo, solicitaram de Dom Campelo a fundação de um novo Instituto. Foi um momento de dura prova para o Fundador e para todas as Irmãs.

 

Dom Campelo, homem de fé robusta, de esperança inabalável e de ardente caridade, acolheu na fé o sofrimento, não se deixou dominar pela dor de um aparente fracasso. Confiou na ação do Espírito que é capaz de “fazer novas todas as coisas” e de dar novo vigor aos ânimos desanimados e abatidos. “Não fiquem lembrando o passado, não pensem coisas antigas; vejam que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem? Abrirei um caminho no deserto, rios em lugar seco.” (Is 43,18-19).

 

Como instrumento de Deus, sempre atento e disponível à ação do Espírito, acolhendo os frequentes pedidos das Irmãs que não se dispuseram a continuar como Mensageiras de Santa Maria sem a sua presença, ouvindo também o parecer de vários amigos Bispos, Dom Campelo fez uma releitura de todos os acontecimentos. Procurando perceber e acolher os apelos de Deus através de tantos sinais, funda aos 10 de dezembro de 1968, no Centro Social Pio XI, em Petrolina (PE), também berço da primeira fundação, uma segunda Pia Associação denominada Instituto Social das Medianeiras da Paz.

 

Este novo Instituto deve empenhar-se na aquisição de uma sólida piedade e profunda vida interior, como elementos indispensáveis para a santificação pessoal e a fecundidade sobrenatural no apostolado, o qual deve

ser assumido com amor e inquebrantável coragem. Será presença atuante, especialmente nas paróquias mais pobres e mais difíceis. “Com entusiasmo santo, equilibrado e ardoroso, testemunhando o espírito de unidade na diversidade, deve fazer valer o lema do Instituto: Tudo farei pelos eleitos, isto é, por todos os homens e mulheres remidos por Cristo”.

 

Dom Campelo, homem de Deus, desprendido e confiante na Providência Divina com a cisão das Mensageiras de Santa Maria, as Irmãs que ficaram para formar o novo Instituto perderam tudo: casas, hábito religioso, os distintivos, os Estatutos, até mesmo os documentos pessoais que ficaram nos arquivos da primeira congregação. Dom Campelo foi aconselhado por amigos bispos

e por algumas Irmãs a reivindicar 50% do patrimônio, visto que o mesmo fora adquirido por todo o grupo. Dom Campelo, testemunhando desprendimento, fé e confiança, expressou: “Não quero escândalo na Igreja. A mesma Providência que deu ao primeiro Instituto dará também a este. Importa agora cuidarmos das Irmãs, para que se firmem na sua vida consagrada e na missão”.

 

Por que Instituto Social das Medianeiras da Paz?

 

Vivíamos no Brasil um contexto social, político e religioso difícil. Era o período da ditadura militar, que teve início com a “revolução de 31 de março de 1964”. Não se tinha liberdade de expressão. Muitos brasileiros foram exilados para outros países, inúmeros sofreram torturas, as mais cruéis; muitos outros, homens e mulheres, desapareceram. Período que durou vinte e um longos anos na nossa história. Dom Campelo, pelo seu compromisso com a causa dos mais sofridos, era também considerado um bispo revolucionário. Também sua vida corria risco.

 

Foi em todo aquele contexto que nascemos, com o nome providencial de Instituto Social das Medianeiras da Paz. Dom Campelo justificou: “Minhas filhas, caso venha a acontecer perseguição à Igreja no Brasil e persigam  também a Vida Religiosa, o nome social poderá amenizar a situação”. Ele nos lembrava os tempos difíceis para a Igreja na Itália quando Dom Bosco fundou a Sociedade de São Francisco de Sales – os Salesianos. Devemos ser presença de mediação e de promoção da paz, através de nosso testemunho e de ações voltadas para os mais pobres, os esquecidos da sociedade, como expressa bem Dom Campelo: […] deixados à margem da vida pelos egoístas. […] Levar a paz a todos os irmãos, particularmente aos mais abandonados, que vivem esquálida pobreza na alma e no corpo, eis o vosso carisma. Tudo farei pelos eleitos, é o vosso lema.

 

 […] Ela atinge as inúmeras carências responsáveis pelos desajustamentos que infelicitam a tanta gente. A Medianeira da Paz é chamada a ser presença de mediação em qualquer situação, em todo lugar onde a vida é ameaçada; onde a imagem de Deus é desfigurada, buscando, através de uma vida orante e de ações eficazes, ajudar a realizar o projeto de Jesus Cristo, que “veio para que todos tenham vida e vida plena” (Jo 10,10b). É missão da Medianeira da Paz ser sinal de Vida e de Esperança, ajudando a proclamar o ideal evangélico da ‘civilização do amor’ conforme o apelo do Papa São Paulo VI. Isto requer um empenho que vise o ser humano na sua integralidade, como Dom Campelo aponta abaixo: Nosso Instituto Social está entre o Evangelho e o mundo, porque é apostólico e, necessariamente, essencialmente deve revelar o Evangelho ao mundo. Cristo e o mundo são dois polos sobre os quais firma-se sua ação. Urge conhecer bem o Evangelho na sua simplicidade e na força de suas exigências no conteúdo histórico divino. Uma lei necessária: testemunhá-lo com a vivência, conhecer os homens aos quais Cristo nos envia. Devemos conhecer os métodos de nossa ação missionária e sua evolução […]. Importa considerar o Instituto diante do Evangelho e diante do mundo.

 

Dom Campelo chama a atenção das Medianeiras da Paz para serem inseridas no mundo, sendo presença-qualidade, capazes de anunciar os valores evangélicos pelo testemunho e pela ação profético-transfiguradora, em meio a toda realidade onde quer que a vida seja ameaçada. É forte a expressão: “na força de suas exigências”. Sabemos que as exigências evangélicas vão até às últimas consequências, ou seja: até mesmo dar a vida, se a missão o exigir. Vejamos que Dom Campelo propõe às Medianeiras o desafio de serem capazes de dar a vida por amor, assumindo com generosidade a imolação de si próprias por causa de Jesus Cristo e do seu Reino, de maneira incondicional, como “sal”, “luz” (cf. Mt 5,13-14) e “fermento” (cf. Mt 13,33) 15.

Durante os meses de dezembro de 1968 e janeiro do novo ano de 1969, as Irmãs se mantém em clima de oração e reflexão, através de vários encontros orientados por Dom Campelo, finalizando-os com um retiro espiritual. Aos 31 de janeiro, Dom Campelo apresenta o Governo Geral do novo grupo, tendo como primeira Superiora Geral a Irmã Izabel Maria Reis.

 

Na homilia da Celebração Eucarística, Dom Campelo finaliza dizendo que aquele dia deverá ser celebrado anualmente pelas Medianeiras da Paz como dia do Ins-

tituto em homenagem a São João Bosco, o qual ele apresentava como nosso Patrono16.

 

Disse anteriormente que Dom Campelo era um carismático. Sim, o Espírito do Senhor o escolheu para ser essa alma de escol para a difusão do Reino de Deus. O carisma que ele passou para nós, de ser presença de mediação e de promoção da paz não poderia ficar limitado ao Instituto das Medianeiras da Paz, mas ser vivenciado por um grupo mais amplo, em benefício da missão eclesial.

 

Dom Campelo idealiza e recomenda que as Medianeiras da Paz criem grupos de juventude que tenham este ideal, cujo nome seja Juventude Medianeira (jume). Ele mesmo, aos 12 de outubro de 1984, em Salvador, oferece à Igreja mais um grupo. Funda uma Associação de leigos e leigas que fazem sua promessa de fidelidade a Jesus Cristo e à Santa Igreja, vivendo a espiritualidade e o carisma de mediação e de promoção da paz, em comunhão com as Irmãs, participando da sua missão: são os Servos e Servas Medianeiros(as) da Paz.

Fonte: Carta Circulares Dom Campelo

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